sexualidade feminina

Sexualidade feminina ainda é vista como tabu

Bem-estar

Acompanhantes relatam trajetória de descoberta e empoderamento através da profissão

“Puta” foi considerado o pior xingamento direcionado para mulheres, de acordo com a pesquisa realizada pela professora do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de Brasília e pesquisadora na área de Saúde Mental e Gênero, Valeska Zanello. Ao todo, 700 pessoas de diferentes idades, unidades de ensino e classes sociais responderam os questionários do levantamento, que apontou que os principais insultos direcionados para as mulheres estão ligados ao comportamento sexual ativo. 

“O preconceito maior sempre vem de quem mais consome. Eu me aposentei há 18 anos, mas tenho muito orgulho e respeito por ter sido puta!! E ser puta é bem diferente de ser vagabunda, mas nossa sociedade nunca estará preparada para essa conversa”

– Disse Raquel Pacheco, que ficou conhecida como Bruna Surfistinha, em seu perfil do Instagram.

Na contramão desse comportamento, mulheres que trabalham como acompanhantes lutam pelo respeito na profissão e direito de falar e exercer a sexualidade feminina. Para Nina Sag, mãe, bacharel em Letras, acompanhante, sexóloga e porta-voz da plataforma para acompanhantes Fatal Model, a jornada até chegar a profissão foi longa e cheia de descobertas. Nina iniciou sua carreira como professora e, em seguida, atuou como empresária autônoma. Foi aos 33 anos, quando enxergou a oportunidade de trabalhar com sexo.

“Sempre fui uma mulher com a sexualidade aflorada e hoje posso afirmar que me sinto uma mulher mais completa. Antes de criar a persona Nina para minha profissão, eu tinha muitas limitações. Durante grande parte da minha vida, me prendi muito a atender às expectativas sociais cheias de preconceitos e tabus para tudo que se referisse à vontade e voz das mulheres. Quando tive consciência da mulher que eu sou e que devia conduzir minha vida de maneira que me fizesse livre e feliz comigo mesma, tudo mudou”

– Diz Nina.

A trajetória da mãe, acompanhante, colunista do blog do Fatal Model e estudante de psicologia, Paula Assunção, foi um pouco diferente. Paula encontrou no trabalho uma forma de se expressar e se libertar de inibições e inseguranças.

“Eu sofri abusos na minha vida pessoal e sexual, que me inibiram muito e me fizeram sentir desconfortável com meu corpo e minha sexualidade. Eu sempre tive uma vida estável financeiramente, mas não posso ser hipócrita de dizer que entrar nesse ramo profissional não teve nada a ver com a independência financeira que eu almejava. Mas, foi muito mais que isso. Para mim, trabalho era só para ganhar dinheiro e hoje posso dizer que tem algo além”

– Reflete Paula.

Preconceito e libertação

Quando questionadas sobre preconceitos, Nina relata que perdeu o contato com alguns familiares que não aceitaram a profissão escolhida por ela.

“A sociedade tem uma visão sempre negativa, como se a gente tivesse entrando numa porta obscura, regredindo na vida. Mas, dentro deste universo, descobri que assim como é para mim, para muitos colegas de profissão também foi e é uma experiência muito importante e libertadora. Me livrei de muitos preconceitos e aprendi principalmente a reconhecer e respeitar meus limites. Quando você começa a trabalhar em contato direto com as pessoas e em algo tão íntimo e pessoal como o sexo, você começa a entender muito sobre a essência e o comportamento humano, suas motivações e seus medos. Hoje, eu sinto que tenho muito mais autonomia e segurança para dizer ‘Ok, isso eu aceito e isso não estou disposta’”

– Relata Nina.

Já Paula, diz que por um período de tempo, no trabalho como acompanhante, usava uma persona e vivia uma vida dupla, para que as pessoas próximas não descobrissem. Quando decidiu contar aos amigos e familiares, a notícia não foi bem recebida em um primeiro momento, mas todos respeitaram sua escolha e lidam bem hoje em dia. Inclusive, seu namorado.

“Hoje me sinto muito confortável e confiante em falar do meu trabalho. E, apesar da sociedade ainda ter muitos estigmas e preconceitos a respeito da minha profissão, percebi que quanto mais confortável eu me sinto em falar sobre ela, menos o outro se sente à vontade para criticar. E eu acho que aí que ocorre a quebra do preconceito. Transparecer minha verdade e agir com confiança desperta a curiosidade das pessoas em me ouvir e me entender e, assim, me enxergam com respeito”

– Completa Paula.

Desafios

Entre os desafios da profissão, está também a solidão. De acordo com dados do Fatal Model, apenas 21% das pessoas que trabalham como acompanhantes contaram aos pais sobre a atuação. Esse número é ainda menor quando se diz respeito aos amigos (20%) e parceiros (9%). 

“Existem muitas dores e amores em tudo que decidimos encarar na vida, com certeza a minha profissão é desafiadora, porque envolve a percepção e preconceitos dos outros sobre o eu que faço. E, nem sempre vai ser fácil, às vezes pode ser uma jornada muito solitária, porque nem todo mundo entende. Mas, eu ter escolhido viver isso em um momento muito maduro da minha vida e estar certa destas escolhas, me faz ser fiel a quem eu sou e isso eu não troco por nada”

– Justifica Nina.

Por fim, Nina compartilha aprendizados para que outras mulheres se inspirem em sua segurança e seu empoderamento.

“Então: quem é a Nina? Com certeza, é uma mulher melhor, mais madura e segura, que se livrou de muitas inibições. A gente sempre se sente muito culpada pela nossa sexualidade,  não se permite explorar e conhecer o que a gente gosta e o que realmente quer. Minha cabeça abriu e entendi muito mais quem sou por inteira”

– Finaliza.

Sobre o Fatal Model

Fatal Model é a maior plataforma do ramo no Brasil, criada em 2016, registra mensalmente uma média de 20,9 milhões de usuários e 504 milhões de pageviews.

startup surgiu com a missão de profissionalizar o mercado de acompanhantes através da inovação e do respeito, buscando romper o preconceito em relação à profissão, levar informação aos profissionais sobre os seus direitos e possibilidades no ramo e trazer dignidade para as pessoas se auto afirmarem na profissão que escolheram para o sustento de seus lares.

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